
Há 5 anos atrás fui ao Rio de Janeiro e fiquei em casa de
parente. Ela passou anos insistindo pra que eu fosse pra lá, até que um dia liguei pra ela avisando que iria chegar no próximo mês. Acho que ela não estava mais esperando. Percebi isso quando cheguei lá com um
tambaqui que tinha me custado 250 reais, muita saudade dela e ela falou mal do meu cabelo.
A situação da casa era a seguinte: duas crianças mimadas, um labrador
(gente finíssima) cheio de pulgas, sem empregada, um marido ausente, a prima, mãe das crianças, mal-humorada e a família quase de mudança.
Quando eu cheguei, ela criticou meu cabelo, mas depois de uns dias, apareceu com luzes também. Eu a
elogiei. Um dia, eu acordei, abri a porta do quarto e... o labrador, gente boa, tinha espalhado um saco de farinha de trigo inteiro pelo apartamento, cujo revestimento era taco. Quem limpou a tragédia fui eu. Ela
não agradeceu.

As demoniazinhas aprontavam e eu era muito, muito paciente. Jogavam livros em cima de mim, não me deixavam ver TV, pegavam o livro q eu estava lendo pra ler também. Deixavam um DVD ligado e iam pro outro quarto, [ai de mim se tirasse o filme, elas berravam, colocavam de novo e voltavam!] Não me deixavam fazer absolutamente nada. Era uma ditadura sem a mamãe em casa. E assim, por dias, fui controlada pelas duas satanistas menores.
Num dos dias malditos, estava eu saindo do quarto, uma delas bateu a porta no meu dedo ainda... ele ficou lá preso, depois ficou
preto, depois a unha caiu. A prima mal-humorada não fez nada. A coisa ruim não pediu desculpa. E eu fiquei sem fechar a mão por uns bons dias.
Aí a estranha aqui foi perdendo a paciência. Comecei a me impor com as pestes. Agora.. bateu, levou. Trocou o canal?
Dá licença, sua mãe não te deu educação, não? Aí eu voltava pro canal que estava vendo.
Você não manda aqui! - Mas eu sou mais forte que vc, experimenta!! E assim foi.
Eu até deixava tudo de lado e ia brincar com elas, principalmente com a menor, que tinha momentos de extrema fofura. Começamos a ter momentos de paz porque a peste mirim parou de me atormentar.. mas a outra não se conformava com a minha petulância. Começou a fazer brincadeiras de mal gosto, ela sempre dava um jeito de me atingir. Pra não perder a cabeça, comecei a ficar mais tempo na rua do que lá. Me sentia melhor conversando com o vendedor de côco lá no Leblon do que em "casa" com as filhas do cão. Até que o
dia D chegou...
O dia D foi assim: todos os dias eu saía pra passear com o membro mais gente boa da família,
o labrador chocolate. Nesse dia, a terceira filha, que até agora não foi citada, pq sempre foi muito educada, pediu pra ir comigo. Eu disse que não teria nenhum problema, já q eu iria dar uma volta rápida apenas. Aí a belzebu menor, que já estava quase minha amiga, quis ir também. Adivinhem que também foi? A irmã de sangue do capeta!
Lá pelas tantas, a imagem do Lúcifer brigou com a irmã mais velha pois queria levar o cachorro. A irmã mais velha não deixou. Sabem o que ela fez?
EMPACOU no meio da rua. Ficou agarrada numa grade e disse que NUNCA mais sairia dali. E eu, que não tinha nada a ver com a confusão, fui tentar resolver a situação...
- Leviatan, vamos! Você leva o cachorro!
- Não!
- Olha aqui ele abanando o rabo?
- .....
- Vamos! Lá em cima a gente vai tomar sorvete!
- Não!
20 min depois...
.. Perguntei pra mais velha o que a gente ia fazer, já que a gente não poderia deixar ela sozinha ali. Ela disse que era pra ligar pra mãe. Eu fui até o orelhão, que era bem pertinho e liguei:
- Prima, ela nao quer mais nos acompanhar, brigou com a irmã e se agarrou numa grade aqui no meio da rua, o que eu faço?
- Não faz nada, em 15 min to passando aí!
Voltei lá com a tinhosa e disse:
- Pra que vc vai ouvir da sua mãe à toa, né? Vamos embora tomar um sorvete?
- Não!
Aí minha paciência já estava no final.. passamos uns 40 min e nada da minha prima chegar e nem da excomungada sair de lá... disse então que ela ficaria
sozinha ali!

Eu fui andando com as meninas, mas sempre prestando atenção nela e percebi q ela vinha andando atrás. Começamos a andar bem devegar, até que ela alcançou a gente. Alcançou já quase na porta de casa e passou direto. Quis entrar em casa. Eu disse que havia prometido tomar sorvete com as meninas e perguntei qual sabor ela queria... sabem o que ela respondeu?
- EU QUEEEERO IRR PRAAA MIIINHAAAA CAAASAAAA AGOOOOOOOOOOOOOORAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!Sim, queridos. Ela deu piti comigo.
Entrei na loja. Comprei os sorvetes, sentei e tomei com as meninas. Elas riam e eu olhava contrariada... meus pensamentos eram tão malignos em relação a ela, que vcs nem queiram saber! Fiquei velha vendo uma menina de 8 anos, quase 9, se comportar daquele jeito.
Até que ela
se jogou no chão... berrando. As pessoas olhavam, desacreditadas! Paguei a conta e fomos tomando o sorvete pela rua mesmo.
5 minutos depois, a mãe delas chega. As quatro se trancam no quarto. Eu espero um tempão pra saber qual seria meu veredito, mas ninguém saía de lá. Arrumei minhas coisas, avisei num bilhete que sairia e fui pra casa de uma amiga. Saímos a noite, voltei de manhã. Tentei abrir a porta, mas desta vez, ela tinha
passado a tranca. Apertei a campainha, o marido ausente abriu a porta, me olhou torto e fui dormir.
Ninguém falou mais comigo.
Ninguém!Aí liguei pra mãe da minha prima pra passar o resto das férias gregas lá. Ela imediatamente disse que era pra eu ir. Quando eu estava arrumando as minhas coisas, a prima me liga e pergunta:
- Vc já foi fazer fofoca pra minha mãe? Eu tenho culpa se vc
NÃO GOSTA de criança?
Como assim eu não gosto de criança? Eu adoro criança, a própria sarnenta quando morou

em Manaus era um bebê e eu cuidei muito dela, levava pra passear de carrinho, trocava fralda, dava banho, fazia mamadeira... como assim eu não gosto de criança???
Trocamos algumas boas farpas por telefone e ela fez o que queria, me
expulsou. Fui embora debaixo de chuva.
Nunca mais falei com ela nem com ninguém daquela casa. Tirando o labrador chocolate, lindoooooo.. eu abortei aquele povo.
Fiquei os resto das férias na casa dessa minha prima, uma senhora de idade e o marido. Mal tocamos no assunto, mas ouvi o marido falar uns desaforos com a filha, envergonhado. Lá foi outra coisa. Educados, atenciosos demais.. jogamos buraco, conversamos muito, viajamos, passeamos.. foi muito bom! Mas mesmo assim, eu tive crise de gastrite. Nem sabia o que era isso! Me despedi com um buquê de flores, um cartão de agradecimento e voltei pra Manaus.
Não contei que antes disso tudo, ela morou em Manaus por dois anos e eu, minha irmã e minha mãe demos toda a assistência pra ela. Eu praticamente morava com ela pra ajudá-la com as crianças, pois o marido viajava a trabalho. Ajudei nas festinhas de aniversário das crianças enrolando salgadinho, cortando isopor, pintando princesas, arrumando a casa dela, ficando com as meninas enquanto ela precisava sair, ou seja, quebrei um galho enorme! Quando ela não precisou mais, né.. a história foi outra.
Engraçado que a vida toda, quando ia a Natal, fazia peregrinação nas casa dos meus tios e nunca tive problema. Passei anos indo pra lá e sempre tive lembranças maravilhosas! Masss.. fiquei receosa com parente. Nunca mais fico na casa de nenhum. Tirando minhas tias legítimas de Manaus, não troco um hotel fedorento pra ficar na casa de ninguém. Nem meus filhos, se um dia viajarem, permitirei que fiquem na casa de alguém.
Eu até hoje não entendi muita coisa, pois desde o primeiro dia ela se mostrou indisposta comigo. E olha que eu perguntei antes se poderia ir, a resposta foi super positiva! Mas deu nisso, né? Fazer o quê?
Aconteceu comigo assim.